A busca de excelência é uma decisão

Num momento em que estamos todos ansiosos, preocupados, com medo, seria conveniente falar de excelência? Eu vinha me perguntando sobre isso quando ouvi o consultor Dany Artel falando sobre a importância de se preparar antes de a crise passar.

 

Geralmente, pensamos: quando tudo passar, vou fazer isso e aquilo, porque agora não está dando. Parece que na visão de muitos entendidos isso não funciona bem para a criação de futuro.

 

Esta é a hora. É mais difícil, sem dúvida. Mas não é para depois. É para agora, porque quando tudo passar, ou se reorganizar, você estará pronto para viver nessa nova organização. Mais forte e mais preparado.

 

 

Outro dia, estava a assistindo a Harry Potter e o cálice sagrado com minha neta Stella, de 8 anos. Em determinada cena, Dumbledore, aquele velho de longas barbas brancas, entra no quarto de Harry e lhe diz mais ou menos assim: “Harry, poderá haver momentos difíceis, em que nuvens negras pesarão sobre nós. E nesses momentos você terá que decidir entre o que é certo e o que é fácil.”

 

Estamos vivendo esse momento de nuvens negras sobre nossas cabeças. E o que vamos escolher? Esta é a hora.

 

Na minha visão, a busca de excelência é uma decisão diária. Ela inclui três perguntas: Com o que você está comprometido? Quem você quer ser? Que futuro deseja ter?

 

Certa vez, um prefeito foi visitar uma construção em sua cidade. Como todo político, foi conversar com os operários, perguntando sobre suas funções.

 

Perguntou ao primeiro operário o que estava fazendo. O homem levantou a cabeça e, com um olhar cansado, respondeu que estava levantando uma parede de tijolos. Ao segundo operário, fez a mesma pergunta. O homem levantou a cabeça e, com um olhar vivo, respondeu com orgulho: “Estou trabalhando na construção de uma grande catedral, senhor prefeito.”

 

Esta é a diferença. A atitude e o compromisso. Com o que você está comprometido? Com que atitude e nível de compromisso você está vivendo cada dia?

 

Stephen Covey, consultor, autor de livros como Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes, afirma que pequenas mudanças podem exercer grande impacto.

 

Ele dá como exemplo o fato de um grande avião ou navio transatlântico poder ser movimentado movendo-se apenas um timão. O piloto ou comandante faz isso em sua cabine, sem grande esforço. E é um pequeno dispositivo chamado trim tab que move o timão e altera o rumo.

No Stories do Instagram, pedi que me sugerissem temas para lives. Três pessoas propuseram os seguintes temas: gerenciar pensamentos e equilibrar emoções para tomar decisões; síndrome da escassez; e razão versus emoção para tomar decisões. Pois todos esses temas estão dentro da busca pela excelência.

 

Refletindo sobre tudo isso, descobri que, quando você coloca seu foco na busca de excelência, envia uma mensagem para seu cérebro e sua mente e, naturalmente, pouco a pouco, vai desativando a força dos padrões negativos. Simplesmente porque uma coisa está oposta a outra.

 

A potencialização estará sempre onde está o foco. Se você coloca seu foco na excelência, seu cérebro começa a trabalhar nessa direção e vai lhe dando as sinalizações necessárias. Haverá oposições dentro de você, é certo, mas haverá uma intenção definida. A intenção é a direção da flecha.

 

Se você põe seu foco na melhora, sai da síndrome da escassez. Não importa que sejam 0,5% de melhora a cada dia. Não se trata de o quanto. Trata-se da direção certa. A síndrome da escassez é uma seta para baixo, a excelência é uma seta para cima.

 

O crescimento e a mudança não são uma linha ascendente e sem contornos. Há momentos de queda para todos nós. E esses são os momentos fundamentais, em que decidimos pelo certo ou pelo fácil. Nesse momento, reajustamos o rumo.

 

Numa live em que conversei com André Sá, diretor de relacionamentos da Tennis Australia e tenista campeão, ele falou coisas muito interessantes, como: Os grandes tenistas são grandes nem sempre porque são os mais habilidosos, mas porque estão comprometidos em melhorar a cada dia. Eles têm um compromisso com a excelência, que é trabalhada a cada dia.

Semana passada, postei no Telegram que uma ferramenta que considero poderosa para regular a ansiedade é ter um planejamento a cada dia. Um objetivo significativo a cada dia, porque nossa mente não fica bem quando não temos planejamento. Fica à deriva, sem direção. Começa a divagar e a ruminar.

 

Escrevi que uma pergunta estratégica para trazer você de volta a algum foco é: Como está sendo meu dia hoje? Porque detectar que seu dia não começou bem não é razão para terminar mal. Você pode se reorganizar a cada momento.

 

Você precisa desenvolver o que chamo de mindset do dia útil. Não precisa fazer isso com coisas grandiosas, mas sim com coisas úteis. Você pode mudar o rumo do seu dia. Se fez um exercício, é util. Se respirou com atenção, é útil. Se prestou atenção a sua comida, é útil. Leu algo que eleva sua mente, é útil.

Se ficou plantado na frente da televisão, com sua mente vagando, é totalmente inútil. Esse tipo de comportamento aciona a escassez dentro de você, e o resultado final será insatisfação consigo mesmo ou um nível de consciência automático, para não ter a consciência do que se passa dentro de você.

 

É importante lembrar que todos nós temos os dois estados em potencial, tanto o de escassez como o de potencialidade que gera excelência. Podemos ativar um ou outro, tanto por nossos movimentos internos, pensamentos e emoções, como por estímulos de nosso ambiente.

 

Mas acima de tudo isso pode estar a nossa decisão, a nossa escolha. Mesmo havendo uma influência externa, é sempre nossa a responsabilidade da escolha. Se você decidiu pela excelência, em qualquer momento do dia que se perceber na escassez, pode virar a chave na direção da excelência.

 

Perguntei ao André sobre o uso da respiração pelos tenistas para lidar com a ansiedade. Ele disse que cada um tem seu tique ou truque, e essa é uma das razões pelas quais eles tantas vezes usam a toalha após a marcação de um ponto. Nesse momento, eles respiram e enviam uma informação para o cérebro: Calma, e agora vamos retornar com toda a energia.

 

Podemos fazer o mesmo quando nos damos conta de que estamos indo na direção da escassez, do conformismo, da procrastinação, da desistência. Respiramos e enviamos essa mensagem ao nosso cérebro: Vamos de novo. Recomecemos!

 

Isso significa gerenciar pensamentos e emoções baseados na escolha de uma direção: a excelência. Essa escolha dá sustentação a você para gerenciar o mental e o emocional.

 

A pergunta a ser feita é: Essa emocionalidade, esse mindset desse momento me leva para quem eu quero ser? Esse mindset me leva na direção da excelência?

 

Outro ponto que podemos encaixar aqui: Não existe a escolha razão ou emoção. Elas são inseparáveis. O único momento em que existe emoção sem razão é no sequestro emocional.

 

Porque a emoção define a qualidade que a coisa tem para você. Se a coisa não tem qualidade nenhuma, sentido nenhum, você nem se ocupa com aquilo. A emoção é que dá o sentido que a coisa tem para você. Você pensa que está decidindo somente com a razão, mas a emoção está por trás.

 

O foco também influi na emoção. Se quer ter emoções boas, coloque seu foco em coisas boas. O lugar onde você coloca seu foco definirá sua emocionalidade. Sua emocionalidade definirá sua escolha. Sua escolha definirá sua ação. Sua ação definirá seu futuro.

 

Se colocar seu foco na excelência – não importa se é excelência para fazer pão, para jogar golfe ou para lavar pratos – abrace o que está fazendo. Com sua razão e sua emoção.

 

Outro dia, o economista Ricardo Amorim fez uma postagem em que enumerava dez coisas que não exigem talento para que você as tenha: atitude, foco, fazer sempre mais, esforço, estar preparado, pontualidade, honestidade, linguagem corporal, energia e flexibilidade.

 

Amorim disse que alguns nascem com mais talento e outros com menos, mas que “com dedicação, persistência, atitude certa, o talento pode ser desenvolvido e lapidado ao longo da vida. Frequentemente aquele que nasceu com menos talento torna-se muito melhor do que o prodígio.”

 

Frequentemente, pensamos que ter excelência é para alguns mais dotados. Será que não estamos equivocados ou nos escondendo da excelência por trás de desculpas que tranquilizam nossa consciência?

 

Com isso, chego a quatro palavras que podem dar conta de todo esse tema – desde que você não tenha escolhido o fácil, mas voltado sua seta na direção da excelência. São elas: foco, direção, repetição e modelagem.

 

Foco já foi explicado aqui. A direção é dada pela escolha da excelência. Repetição e modelagem caminham juntas. Você pode modelar seu mindset, mas para isso tem que manter a repetição. Sem repetição não tem modelagem.

 

Você modela quando tem a intenção de imitar alguém que admira. E quando pratica a repetição, vai formatando a modelagem em seu cérebro.

 

Se você pensa em si mesmo como não tendo valor, está modelando seu cérebro com esse pensamento. Se você pensa todo dia no que fez de bom e analisa como pode fazer um pouco melhor, está modelando seu cérebro para a excelência.

 

A pergunta de cada dia que faz girar a roda da excelência: Eu quero ser um pouco melhor hoje? Sempre definindo o tempo para não ficar vago. O cérebro não entende o vago.

 

Se você tem a intenção de alcançar algo que não tem hoje, precisa adquirir algo que ainda não tem. Fazendo o mesmo, sendo o mesmo, não conseguirá. Precisa alongar sua capacidade, habilidade, disposição, ou o que seja que expanda seu mindset. Comece hoje, porque tudo começa no agora.

Berenice Kuenerz

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